
Nas pesquisas feitas até o momento, tentamos encontrar respostas ou explicações para as nossas dúvidas, sobre o comportamento agressivo apresentado pelas crianças.
Podemos dizer que o assunto é bastante complexo e difícil de definir, pois podem ser vários os motivos que influenciam esse comportamento. No entanto, com base nas pesquisas, podemos concluir que a agressividade não é um traço da personalidade, com a qual a criança nasça, e sim é influenciada pelo meio. É um comportamento aprendido.
Existem alguns fatores que são poderosos construtores do comportamento agressivo entre crianças, tais como:
· Conflito familiar, pais ausentes e ou agressivos (exemplos);
· Superproteção ou rejeição familiar;
· Falta de limites e diálogo no ambiente familiar;
· Convivência em ambiente familiar desestruturado (emocional, social e financeiro);
· Televisão (visualização diária de programas com atos violentos), entre outros.
Neusa Siqueira – 15/10/08
Conforme o que conversamos na escola, eu e a colega Neusa, realmente analisando os casos de agressividades apresentados na nossa rotina diária como educadoras, percebe-se que em sua maioria são crianças que apresentam algum tipo de conflito familiar, como desestrutura familiar, falta de valores essenciais a uma criança, visto que esta espelha-se no exemplo do adulto mais próximo a ela, falta de limites, como forma de compensação e principalmente a inversão de papéis, onde hoje em dia, as crianças e jovens, querem controlar a vida dos pais, de acordo com suas vontades, não respeitando limiites ou regras, achando-se autosuficientes, vindo a refletir este tipo de comportamento na escola, através da agressividade, principalmente quando querem impor suas vontades, sem respeito aos que convivem ao seu redor, sejam eles pais, irmãos, colegas, professores...
Outro problema bastante comum é que muitos pais parecem ignorar o comportamento agressivo dos filhos, não aceitando ou direcionando as causas a escola, e na maioria das vezes, negando-se a encaminhar o filho a um especialista para uma avaliação e encaminhamento a profissionais especializados, o que vem e muito prejudicar o desenvolvimento da aprendizagem destes alunos. Maria Angélica Hofmann - 05/11/08.
CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES SOBRE O COMPORTAMENTO AGRESSIVO
Infelizmente, na maioria dos casos as mães são as grandes
culpadas pelo comportamento agressivo infantil, quando, por exemplo, não dão
deveres aos filhos, nem responsabilidades, nem limites. Ao
superprotegerem os filhos, fazem com que estes se tornem pessoas
sem nenhuma tolerância à frustração. “Talvez as mães confundam o
papel materno com a permissividade extrema em busca da simpatia
de seus filhos. Outras vezes pretendem, com essa absoluta falta de
limites para seus filhos, serem tidas por moderninhas e joviais” (Ballone,
2002, p. 7).
Segundo Ballone (2002), geralmente mães de crianças
agressivas tendem a atribuir mais hostilidades às condutas de
seus filhos, qualificando negativamente traços de sua personalidade
e ressaltando sua má conduta.
. Outros transtornos dos pais que podem se relacionar
à questão do comportamento agressivo infantil, são o transtorno da personalidade
anti-social, depressão maior e abuso de substâncias.
“Os filhos vivem a crença de ser o objeto exclusi-
vo de amor incondicional dos pais. Nada se co-
bra deles, bastando sua existência para serem
incondicionalmente amados e jamais reprimi-
dos, em nome do psicologicamente correto,
nunca censurados ou limitados, em nome de
ficciosos traumas futuros. Essa é a maneira
mais eficaz de desenvolver neles um narcisismo
ilimitado (...) esse excesso de proteção é, talvez,
a maior causa do sentimento de abandono que
essas crianças sofrerão quando terão de
enfrentar o mundo real” (Ballone, 2002, p. 1).
Eis alguns processos que podem colaborar para o desenvolvimento
de sintomatologia agressiva na criança, segundo Ballone (2002):
1. Hostilidade e competitividade: a hostilidade conjugal atua como
um fator ambiental de estresse, incitando a criança a experimentar
desequilíbrio emocional interno, insegurança e alto grau de incerteza.
2. Diferenças de interação entre os pais: quandoum dos pais se
distanciar ou se excluir da vida da criança, o que causa um vazio
familiar, trazendo consequentemente sentimentos de insegurança,
ansiedade, tristeza (...), o que leva ao desenvolvimento do comportamento agressivo
3. Harmonia familiar: é um fator de proteção e de segurança
necessário ao desenvolvimento confortável da criança, favorecendo
um desenvolvimento sadio de condutas sociais.
4. Apoio mútuo de ambos os pais: isto está relacionado à
coesão familiar (independentemente de os pais serem separados).
Através da pesquisa bibliográfica realizada foi possível perceber, ao
longo deste trabalho, que o comportamento agressivo é um comportamento que
incomoda e preocupa as pessoas que convivem com a criança que
apresenta tal comportamento. Também ficou evidente que os pais, de
maneira consciente ou inconsciente, acabam “colaborando” para que
esse comportamento se desenvolva.Aagressividade já é manifestada em
bebês, quando, por exemplo, sentem prazer ou desprazer frente a
situações impostas. Conforme as crianças vão crescendo, este
comportamento pode ou não desaparecer. Aqui é importante a intervenção
de um adulto, que esteja atento às mudanças de comportamentos das
crianças, sabendo impor limites ao invés de deixá-las à vontade, só para
não frustar ou “traumatizar”.Quando os pais não conseguem, por algum
motivo, disciplinar corretamente seus filhos e perdem o controle, estes,
podem extravasar esse comportamento agressivo e passar a ter também condutas
anti-sociais. Aquestão que mais preocupa é o fato de que as crianças de
hoje serão os jovens e adultos de amanhã. Então, para que haja menos
violência, menos desestruturação familiar, menos comportamentos
destrutivos, entre outros problemas, é preciso suprir as necessidades
básicas das crianças, tais como: amor, segurança, atenção,
compreensão, cuidados, carinho, estímulos, oferecendo-lhe um ambiente
familiar propício, entre outras providências.Realizar este trabalho foi de
grande valia, pois estas reflexões contribuíram imensamente para o
enriquecimento pessoal, acadêmico e profissional, favorecendo um melhor
entendimento das questões propostas bem como preparando para uma
futura atuação, tanto no aspecto clínico, quanto no aspecto educacional e
sistêmico.Espera-se que as idéias contidas neste trabalho possam ser
discutidas e aprofundadas por nós colegas do grupo PEAD COMPORTAMENTO AGRESSIVO que cada vez mais tem se deparado com nos professores.
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